segunda-feira, 23 de julho de 2012

Morro mas São Paulo vence!



São Paulo comemorou recentemente o feriado da Revolução Constitucionalista de 1932. O movimento armado objetivava tirar Getúlio Vargas do poder e promover uma nova constituição.
Entre os meses de julho e outubro de 1932 os estados de São Paulo, Mato Grosso (atualmente Mato Grosso do Sul) Minas gerais e Rio Grande do Sul contavam com mais de 50.000 homens nas ruas (soldados e voluntários) contra os mais de 100.00 do governo federal. As origens do movimento se dão 2 anos antes com a Revolução de 1930. Nessa ocasião, devido ao rompimento de Washington Luís com o estado de Minas Gerais quando indicou Luís Prestes à Presidência da Republica preterindo a vez do estado mineiro na politica do café com leite - que alternava a presidência entre um governo paulista e um mineiro- . Nessa ocasião o estado mineiro rompe relações com o estado paulista e oferece apoio ao gaúcho Getúlio Vargas.


Em setembro de 29, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba formaram a "Aliança Liberal" com Getúlio Vargas como candidato à presidência e João Pessoa, da Paraíba, a vice-presidente, tinham também o apoio de tenentes do exército e mais 3 estados. Os demais17 estados da época apoiaram Júlio Prestes. 

Nesse momento, já era percebido no estado paulista, que a Aliança Liberal, e uma eventual revolução visava especificamente o estado. Nos debates, na Câmara dos Deputados, e no Senado Federal, se dizia que, caso a Aliança Liberal não ganhasse a eleição haveria revolução.
Em meio à crise econômica, gerada pela Grande Depressão de 1929, Júlio Prestes,  membro do Partido Republicano Paulista, foi eleito presidente em 1 de março de 1930, vendeu em 17 estados e no Distrito Federal, mas não tomou posse. 

João Pessoa é assassinado ,sem motivos políticos mas foi usado como tal já que em julho de 1930, a ala radical da Aliança Liberal usa o assassinato como o estopim do movimento.Com grande apoio popular os preparativos do golpe foram levados adiante com rapidez pois se aproximava o momento da posse do novo presidente.
Em 3 de outubro de 1930 estoura a insurreição. Os rebeldes tomam os três estados que irradiaram a revolução e rumam para a capital.



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Em 24 de outubro de 1930, um golpe militar liderado por comandantes  no Rio de Janeiro, depõe Washington Luís e entrega o poder a Getúlio Vargas.
Getúlio Vargas foi nomeado chefe do "Governo Provisório" . Entre outras ações, Vargas concedeu a anistia dos rebeldes das revoluções de 1922 e 1924, modificou o sistema eleitoral e a criou do Ministério do Trabalho.


Vargas instalou uma ditadura. Implantou medidas de centralização politica, exilou Prestes e outros que o apoiavam, fechou jornais, designou interventores para os estados (exceto o mineiro) sendo que para São Paulo nomeou o tenente coronel João Alberto Lins de Barros,que a oligarquia paulista tratava pejorativamente como um "forasteiro e plebeu".
No comando da 2ª Região Militar de São Paulo estava o general Isidoro Dias Lopes, que posteriormente apoia o estado paulista na revolução.
Houveram sucessões de interventores para o estado, e em 1932 a situação já se encontrava bastante critica. Eram constantes os comícios e discursos públicos que chegaram a atrair 200.000 pessoas. 
O estado de São Paulo estava unido contra a Ditadura do "governo provisório" imposto por Vargas, o povo paulista se sentia seu estado tratado como território conquistado, 

O ápice da  revolta foi a morte de cinco jovens  de São Paulo, assassinados a tiros por partidários  pertencentes à "Legião Revolucionária", criada por João Alberto Lins de Barros e orientada pelo Major Miguel Costa, em 23 de maio de 1932.
Pedro de Toledo no mesmo dia consegue romper o vinculo do secretariado paulista com o governo provisório 

A morte dos jovens deu origem a um movimento conhecido como MMDC, atualmente denominado  de MMDCA.


Mário Martins de Almeida (Martins)
Euclides Bueno Miragaia (Miragaia)
Dráusio Marcondes de Sousa (Dráusio)
Antônio Américo Camargo de Andrade (Camargo)
Orlando de Oliveira Alvarenga (Alvarenga)


Com o novo movimento e o momento vivido pelo estado, cada vez mais se viam manifestações publicas contra o governo federal e a favor de uma nova constituição.
Em 9 de julho explode a revolução. Uma multidão sai às ruas em apoio ao exército paulista. Mas as tropas federais eram mais numerosas. Pressionados pelo governo os estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul deixam de oferecer apoio aos paulistas, restando o apoio dos sul mato-grossenses.  A ditadura se valia de todos os modos para desestabilizar a revolução.
O crime mais bárbaro, da Revolução de 1932, ocorreu na cidade de Cunha onde as tropas da ditadura torturaram e mataram o agricultor Paulo Virgínio, que se recusava a contar a localização das tropas paulistas. Coagido por militares do governo federal Paulo Virgínio cavou sua própria sepultura e  foi morto dizendo: Morro mas São Paulo vence!
 A derrota militar do estado ocorreu em 2 de outubro de 1932.
O fim da revolução constitucionalista marcou o início do processo de democratização. A derrota militar  se transforma em vitória política. Em 3 de maio de 1933 foram realizadas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte quando a mulher votou pela primeira vez no Brasil em eleições nacionais. Ao ver seu governo em risco, Getúlio Vargas dá início ao processo de reconstitucionalização do país, levando à promulgação em 1934 de uma nova constituição. Nesta eleição, graças à criação da Justiça Eleitoral, as fraudes deixaram de ser rotina nas eleições brasileiras. Foi o maior conflito armado brasileiro do século XX, e como dito somente após o conflito um  mulher pode votar pela primeira vez em eleições nacionais. O sufrágio feminino foi permitido pela primeira vez na Nova Zelândia em 1893,  desse assunto trataremos melhor nas próximas publicações.








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